PELA METADE

Leonardo mergulha em Tempo, o primeiro show sem Leandro, para superar a falta que o irmão faz. E revela: pode editar um disco com parcerias inéditas da dupla.

Leonardo brinca que está à base de Lexotan, um calmante poderoso. "Não vejo a hora de poder ir para a fazenda em Goiás e tomar uns três comprimidos para dormir uma semana inteira", diz, com a voz um pouco mais rouca do que de costume, mas com o bom humor de sempre. "Devo ter emgrecido uns cinco quilos nestes últimos dias."
Por "estes últimos dias" entenda-se toda a movimentação em torno de Tempo, o primeiro show sem Leandro, e o aniversário de um ano da morte do irmão, lembrada dno último dia 23 com uma missa em Trindade, perto de Goiânia. "É difícil segurar as lágrimas quando canto Mano. A platéia toda chora junto", diz. "É como diz a canção, 'Você é a letra/Eu a melodia'. Sinto a falta de um pedaço importante de mim", se emociona. E revela: "Tem muitas parcerias com o Leandro inéditas. É só remexer o baú que dá para fazer muita coisa, mas não agora. Estou me dedicando por inteiro ao novo show.

"Leandro fazia o maior sucesso com a mulheres"

Um clipe com dois garotos interpretando os irmãos quando ainda trabalhavam na lavoura de tomate, no inteirior de Goiás, dá ainda mais emoção à música, um dos pontos mais altos do show - "...mano, eu me lambro do nosso pequeno universo/o primeiro acorde, os primeiros versos...". "Ele era terrível. Fazia o maior suceso com as mulheres", lembra Leonardo. "Eu? Só fui ter a primeira namorada com 17 anos." Não que não fizesse o sucesso que faz hoje com as mulheres. "Eu era um cabra tímido que só vendo."
Era, porque mostrar a cueca no programa da Xuxa, em cadeia nacional, não é para qualquer um... "Agora estão falando da minha bunda, mas ninguém viu nada. O paletó era comprido", se diverte, mas quase irritado. "No ano passado, quando doamos R$ 2 milhões para hospitais que pesquisam a cura do câncer ninguém falou nada. Mas da minha bunda, que ninguém viu, é essa onda toda." A maior onda mesmo. Estão até falando num ensaio fotográfico, sem roupa. "Cê tá louco? Tem que pagar muito bem", brinca.

"De noite, quem dorme com ele sou eu"

Quem não deve estar gostando nada dessa história é a Poliana Rocha, 22, mulher do Leonardo há três anos. "Que nada. Ela é bem tanqüila, sabe do meu trabalho", fala Leonardo. Na estréia do show, em São Paulo, ela assistia a toda movimentação ni camarim na maior tranqüilidade. "No começo, eu era mais preocupada com o assédio, mas hoje não", conta Poliana, na maior calma. "De noite, quem dorme com ele sou eu."
Na despedida, Leonardo parecia cansado. E dali a pouco ainda teria o Tempo pela frente. "O show hoje vai ser uma porcaria", brinca ele, que não conseguiu chegar a tempo para a passagem de som com a banda. Tinha gravado um comercial para uma rede de supermercados, participado de um tarde de autógrafos, jogado uma partidinha de futebol "para relaxar" e comparecido à festa de aniversário de uma rádio em São Paulo. "Rapaz, tinha umas cinco mil pessoas. Foi até perigoso pousar o helicóptero", conta. A camisa de malha Dona Karan com um fio puxado no peito era testemunho do seu dia de "peão": "É o que dá vestir essas roupas chiques".

>Tato Coutinho

Fonte: Revista Capricho (4 de julho de 1999


VOLTAR